quinta-feira, 3 de junho de 2010

Saudade, singela vaidade

Ao brincar dentro do espelho dos seus
olhos, volto a ser criança, seu sorriso
desperta em mim forte lembrança
desejo ardente de viver o diferente.
As flores são perfumadas pois exultam
em transmitir toda a sua beleza, sem
notar sua fraqueza

A saudade aperta forte dentro do peito
procurando carícias, abraços, seus trejeitos
Parei de me queixar, vivi a procurar
algo que fosse intenso tanto quanto
te convenço, nosso esconderijo está
guardado em um lugar que ultrapassa
os confins do pensamento.

Já está tarde, tão tarde que já
é quase cedo, te espero todas as noites,
enloquecido a espera de um beijo de amor
um selo de ardor, algo para eternizar.
Te desejo tanto que já nem sei, se é
saudade, minha singela vaidade, ou
se, de fato, me acostumei a pensar em você.

quarta-feira, 2 de junho de 2010


O Garoto atrás da porta

Todos os dias ele observava sua mãe preparando
bolo, ele gostava de lamber o que sobrava da
massa, sua alegria era imensa quando a mãe
acrescentava chocolate à mistura.Contentava-se
com o bolo cru, já que não podia
comer muitos pedaços depois de pronto, pois
se o fizesse prejudicaria a venda, era bem novo
mas entendia que sua mãe vendia bolo pra ajudar
no sustento de casa, já que o salário de
empregada doméstica não era suficiente pra arcar
com todas as despesas.
Ele não se importava, até mesmo nos dias mais frios,
de levantar cedo da cama, e ficar atrás da porta
observando o preparo do bolo até que fosse
convidado para ajudar e receber sua valiosa recompensa.
Certo dia mamãe chegou estranha em casa, pensou ele.
Colocou-o na cama e quase esqueceu de contar uma historinha
de dormir, seus olhos brilhavam num tom melancólico, ela
parecia infinitamente triste, a última coisa que o garoto
sentiu foi um beijo apertado e quase sem fim em sua bochecha.
No dia seguinte, acordou e não sentiu cheiro de bolo, olhou
por detrás da porta, e não viu sua mãe em frente ao fogão,
assustou-se quando viu alguns policiais dentro da casa
juntamente com seu tia e tia, os quais mal reconhecia,
nem sem lembrava da última vez que os viu.
Estava tão confuso e assustado que mal ouviu seus tios
dizerem: - Vai ficar tudo bem querido, à partir de
agora você vai morar conosco.


Uma espécie de "expurgação"

Sou novo com essa coisa de blog, como gosto muito de escrever, resolvi externar algumas inquietações, devaneios, opiniões, impressões.
Sempre me deparei com coisas muito interessantes em vários blogs que já visitei, daí pensei: "Por que não criar o meu próprio "diário virtual"?
Mas não quero falar de mim apenas e nem criar um pseudônio ou heterônimo, quero apenas escrever, falar, independente de que o que seja escrito seja o que estou sentindo, quero me dar esse direito. Abaixo, algo que escrevi certo tempo atrás, sem data (sim, preciso criar o hábito de colocar data nos meu escritos, rs):


Desabafo

Enfim, dessa vez não falo de dores, mas
também não chego a falar de amores,
não da forma que gostaria
Acontece, que penso, sonho, idealizo
e reservo tão pouco tempo pra viver, que de fato,
me perco e me encontro frustrado
Caído no chão, não mais chorando, mas
apenas embrigado, pedindo e implorando
mais uma dose, desse doce veneno
Minhas veias saltam por sobre a pele,
parece exagero, loucura da minha parte
Pouco me importa se for tudo isso, hoje
acordei com vontade de gritar, gritar
até ficar rouco e perder a voz, sabe
o grito q sai de dentro da alma?
Um grito que de tão alto não se ouve...
Tenho voado tão pouco, e quando levanto
voo, só consigo planar por regiões baixas
Acho que está tudo certo comigo, penso
que é uma questão pessoal, eu mesmo
e eu, às vezes necessito de um pouco
de solidão, nela eu produzo, reflito
me reinvento, quero reciclar minhas emoções
Deve ser esse o momento de inovar,
mudar, ousar, ir além daquilo que meus
olhos cegos e torpes podem ver.